"- Mas por que você ficou comigo tanto tempo? - eu misturava raiva com incredulidade.
Ele sorriu um meio sorriso:
-Porque apesar de tudo, desse seu tipo de vida, suas maluquices e sua superficialidade, eu te amo. Amo a mulher que está escondida em você. - [...] Essa que você talvez nunca encontre, porque não está procurando. Nesse nosso tempo juntos, entendi que amar não é suficiente.
[...]
Veio até mim sentou-se na beira cama, tentou ajeitar o lençol no meu corpo, mas eu me agarrei a ele, desesperada e nua, dizendo baixinho, não me deixa, não me deixa...
Ele pigarreou, uma, duas vezes, fazia isso quando estava atrapalhado.
-Ainda não consigo imaginar que não vamos mais nos ver. Você é o amor da minha vida. Nunca se esqueça disso - ele falava junto dos meus cabelos, me apertava com tanta força que quase doeu. - Mas é preciso. E não é só por mim, não. É para o seu bem. - A voz dele sumiu.
[...]
A participação de sua morte no jornal, anos mais tarde, reabriu definitivamente a ferida [...] Num dia igual a maioria dos dias da minha vida, pouco depois, recebi pelo correio um pacote: parecia ser um livro fino. Dentro havia cartas. [...] Uma frase me tocou mais: "Alguém comentou comigo que você em pessoa continua linda, mas ninguém sabe por que seus olhos são tão tristes, Será que ás vezes pensa em mim?"
A carta mais recente, escrita á mão, dizia:
"[...] Preciso dizer que você continuou sendo o amor da minha vida. Tive um bom casamento, uma vida boa. Mas nunca mais senti o que sentia por você, nunca mais vivi o que vivia com você. E nunca tive a certeza de ter tomado a atitude certa. Mil vezes pensei que talvez você pudesse ter se adaptado, ou que eu deveria ter cedido um pouco. Quem sabe teríamos sido apesar de tudo um grande par."
quinta-feira, 4 de março de 2010
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lindo....
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